Tetro e o despotismo do pai (e da crítica)

O novo filme de Coppola, Tetro, tem recebido uma avaliação negativa da crítica no Brasil. O diretor de O poderoso chefão teria “deixado a desejar” com este seu novo filme. A crítica sintomatiza, portanto, certo desapontamento, certa frustração.

Assisti ao filme e, honestamente, achei-o muito bom. O argumento gira em torno da questão do pai – neste caso, de um “poderoso pai” que, vaidoso e narcisista, não deixava espaço para a família. Tanto é que seu filho, Tetro, não conseguindo afirmar-se perante ele, abandona o lar e tenta reconstruir sua vida em outro lugar. O irmão de Tetro, Bennie, é quem alimenta o enredo. Partindo dos EUA, vai à Argentina reencontrar o irmão iconoclasta. A partir daí segue-se uma estória de reconstrução dos vínculos entre os dois personagens.

Voltando à crítica do filme. É claro que críticos profissionais têm critérios distintos dos meros apreciadores (“amadores”) de uma obra (por exemplo, vi um que apontava falhas no uso do preto-e-branco e do colorido no filme). Contudo, dizer que Coppola, ensaiando um projeto marcadamente autoral e genuíno, “deixou a desejar”, me parece um disparate.

Bom, é contigo dizer. Fiquei tocado pelo longa – vai ver que sou bem “naive”. Como disse Tetro à mais importante crítica de cinema da América do Sul: “sua opinião não me importa mais”. E, para os psicólogos de plantão, às vezes, quando se diz isso, não se quer dizer “onipotência”!

O Cisne negro – imperdível

Acabo de assistir ao filme O cisne negro (2011), estrelado por Natalie Portman. Trata-se da história de Nina (Portman), uma bailarina cuja vida é totalmente consumida pela dedicação à arte do balé – e mais do que isso: pela obsessão pela perfeição.

Nina faz parte de uma companhia de balé de NY em que o papel da bailaria principal (Winona Ryder) acabara de ficar vago – precisamente o do cisne, na peça “O lago dos cisnes”. Nina é a escolhida por seu ponto forte: a capacidade de interpretar o cisne branco (gracioso, inocente…). Mas seu ponto fraco é a dificuldade de interpretar o cisne negro (astucioso, sedutor). Uma colega de Nina, Lily (Mila Kunis), personifica o cisne negro, o que é suficiente para disparar uma rivalidade destrutiva entre ambas.

O filme narra a transformação de Nina a partir de sua “incorporação” do personagem do cisne negro (ou das características que seriam capazes de suportá-lo). Trata-se de um pesado enredo psicológico que mistura fantasia e realidade. Ao final, fica-se com a impressão de que uma vida inteira vale por um ato de perfeição – a incorporação plena do papel do cisne negro às custas da própria vida do personagem.


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