Complemento ao post anterior
janeiro 26, 2011
Pois é. Mas você pode estar ficando com uma visão um tanto quanto “pessimista” deste blog. Isso não me incomoda, de forma alguma (Lacan = quando alguém diz “não”, leia-se o “inverso”…rs). Mas é o seguinte: de uma perspectiva “realista”, toda essa conversa do porquê das coisas, de sua utilidade, etc., é um engodo, uma perda de tempo, na melhor das hipóteses. Leia o livro “Caçando a realidade”, de M. Bunge. Fiquei (estou ficando, na verdade) chocado com a “força” do argumento realista. Em linhas estupidamente resumidas, é algo assim: a realidade existe, e isso independentemente de nós. Enquanto “alguns” (eu, por exemplo) ficam delirando sobre a utilidade das coisas, outros, engenheiros por exemplo, estão a desvendar os mistérios da natureza…”eles”, esses engenheiros ou cientistas destemidos, mesmo com suas mais árduas e pesadas dúvidas metafísicas, não hesitaram, tempos atrás, em trabalhar em prol da ciência – não fossem eles, eu não estaria aqui digitando isso a vocês (vai se saber o que está por detrás desse negócio de digitar e, imediatamente, meu texto aparecer…claro que os cientistas sabem explicar isso, e vão me chamar de ridículo). Enfim, há utilidade no mundo e ela, em grande parte, depende de a gente não questionar sua própria utilidade. É seguir em frente. Descobrir a cura para doenças; aumentar a memória do seu computador, com o menor custo; aumentar a performance das empresas…quem está do lado do “útil” jamais vai ficar perdendo seu tempo com uma metafísica do inútil. Pois é. É isso. A ciência é, OBVIAMENTE, ANTI-Bartleby (e eu, pior…eu, o “cínico”, também – quem não prefere um dentista a alguma magia oculta?… “te amo, ciência anti-bartleby!”…).

